Destaque do mês de Julho:   Castração do cão

 

 

1. assepsia da zona cirúrgica

2. acesso cirúrgico

 

3. exerese manual do testículo

4. incisão na túnica vaginal

 

5. incisão no ligamento

6. elevação do testículo

 

7. sutura no plexo pampiniforme

8. sutura com fio absorvível

 

9. remoção do testículo

10. fecho da pele 1

 

11. fecho da pele 2

12. penso

 

13. recobro pós-cirúrgico

 

 

 

Castração do cão

 

A esterilização dos animais de companhia é um assunto que frequentemente suscita discussões em Portugal e países mediterrânicos. Os proprietários recusam a intervenção cirúrgica considerando uma mutilação, um acto irreversível que mudará o comportamento do seu animal. É sempre preciso relembrar que um cão é um animal, que reage como animal e deste feito não sentem de modo algum todas as coisas ou os eventos como nós. Um cão é na maioria dos casos estimulado pelo instinto e pelas hormonas. Este facto é bem evidente no comportamento sexual: o cão possui uma actividade sexual relativamente a um estímulo exterior (presença de cadela em cio). Afastado das fontes de estimulação sexual, todo o interesse reprodutor desaparece.
     Por isso, é errado acreditar que um cão necessita, para o seu equilíbrio geral, de estar “inteiro”, ainda mais que a maioria dos cães não castrados viverão sem contacto físico com uma fêmea….por causa dos proprietários não concordantes com a castração. Um cão pode viver a vida em companhia de fêmeas, que o tornarão hiper-excitado. Pena, termos de lhe administrar um tratamento hormonal para o acalmar. A solução mais eficaz e a menos arriscada para a futura saúde do cão é a castração cirúrgica. O ideal seria operar o cão antes da puberdade, isto é por volta de 6-7 meses em raças pequenas e por volta de 10-12 meses nas raças grandes.

 

 

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Riscos médicos acrescidos nos cães não-castrados

 

     Trata-se particularmente de problemas testiculares e prostáticos

Os tumores testiculares são poucos frequentes no cão, atingem mais frequentemente os cães com testículos anormais, em particular quando um testículo fica no abdómen.

Se o cão for monorquídeo (um só testículo no local) ou criptorquídeo (nenhum testículo no local), aconselhamos a operação mais precoce. Acresce o risco de desenvolver um tumor e suportará mais facilmente a cirurgia em jovem e de boa saúde.

Hiperplasia prostática benigna, apesar dessa designação, não é uma patologia que se deve descurar com tanta facilidade. De facto, a libertação de hormonas masculinas leva a um aumento demasiado importante do volume da próstata com as seguintes repercussões:

Dificuldade para o cão defecar (tenesmo). Sofre de constipação crónica com repercussões a nível de cólon, recto ou do ânus.

Uma pressão permanente da próstata sobre o uréter que favorece as cistites.

Um risco acrescido de infecções da próstata (abcessos) causada pela hipertrofia.

Não esqueçamos os riscos de acidentes de viação e os ferimentos por lutas entre cães, que são superiores nas fugas, frequentes nos cães não castrados!

Para finalizar, como sabem, a esterilização impede a reprodução, não existindo por isso, ninhadas não programadas diminuindo drasticamente assim os abandonos.

 

 

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Características comportamentais do cão inteiro

 

No período de cio, os cães não castrados são indomáveis e buscam constantemente escapar em busca da “sua amada”. As fugas são frequentes e levam na maioria dos casos a lutas, mordidelas e acidentes na estrada.

Se os machos estão em presença de uma fêmea, tornam-se desobedientes, procurando constantemente o contacto físico. Esta situação é um sinal de hiperactividade sexual de origem hormonal e é penosa para os proprietários que não os ousam soltar.

Os cães machos castrados são frequentemente mais calmos. Perdem o interesse por cadelas em cio se a castração foi efectuada cedo. A marcação de território é fortemente reduzida pela castração.

 

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Modificações fisiológicas provocadas pela castração

 

Combater a algumas noções acerca das modificações comportamentais e físicas do cão castrado:

 Efeitos sobre o crescimento: Uma ideia errada.

A castração antes da puberdade não leva a nenhum atraso de crescimento, pelo contrário tem mesmo tendência ao prolongar o crescimento para além da puberdade porque a ausência de hormonas sexuais atrasa a ossificação das cartilagens de crescimento (zona de crescimento ósseo).

 Efeitos sobre o peso e as doenças associadas à obesidade: a vigilância é imperativa!

A esterilização desencadeia modificações na gestão das despesas energéticas no cão. Uma vez esterilizado, o cão possui menos necessidades energéticas. Por outro lado, é menos activo: é necessário que seja restrito o aporte calórico, quer seja diminuindo a quantidade de comida distribuída, quer seja através de dieta comercial. Não hesitem em perguntar informações ao seu médico veterinário.

 Os dois a três meses que seguem a castração são fundamentais. É durante este período crítico que o nosso cão está propenso a um aumento de peso.

 A obesidade é responsável por alterações na vida do cão: o excesso de peso torna-o mais calmo, o cão apresenta menos interesse por actividade mais intensa. Cabe ao proprietário restabelecer uma actividade regular após a castração.

 Para além disso, a obesidade no seu cão aumenta a predisposição para determinadas doenças, entre as quais:

●  Patologias cardíacas.

 Claudicações: o excesso de peso sobre as articulações aumenta o risco de lesões nestas (luxação da rótula; ruptura dos ligamentos cruzados)

●  Problemas cutâneos (alergias)

 

 

 

Efeito benéfico sobre o envelhecimento

 Os cães castrados possuem um modo de vida calma e algumas patologias são praticamente eliminadas. Viverão por isso mais tempo e melhor, em particular devido a uma alimentação equilibrada e adaptada.

 

 

Conclusão

Recomendamos a castração do vosso cão entre os 6 e 12 meses conforme o tamanho se não o desejarem para reprodução e podem fazê-lo sem nenhum remorso de consciência.

 

 

 

Agradecimentos

 

Ao “Patusco” que agora terá uma vida mais longa e mais tranquila!

Ao seu dono, Luís Gonzaga Filipe, pela amabilidade da divulgação das fotos elaboradas na cirurgia.

 

Maria Paula Ribeiro

 
 

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